quarta-feira, 26 de maio de 2010

Pai e Filho - Summertime


Há algumas semanas escrevi o seguinte texto, subjetivo, para a aula da Shuba:

"Com os diversos brinquedos espalhados e as pessoas sorridentes como crianças adultas. As lembranças de minha infância surgiram em minha mente. E por ali ficaram, não tomaram, de imediato, conta de minhas ações. Aos poucos ganharam apenas espaço na minha cabeça. E com este espaço deixaram de ser lembranças e passaram a ser factíveis. Claro que com alguma dificuldade, pois existiu uma relutância muito forte entre a minha razão e o meu instinto. "Não sou mais criança" de um lado e "O que é ser criança?" do outro. Levemente controlei este instinto crítico e "zombeteiro" e usei da simples razão para querer ser criança, para exteriorizar algumas ações congruentes aos meus pensamentos.Tomado pela ordem da professora, precisei me desprender da criança e me tornar um adulto, um pai. E apesar de desprendido da criança, mantive-me conectado aos pensamentos anteriores, por ser pai de uma criança pequena e com ela precisar lidar. Deixei-me novamente imaginar: como seria ser pai? Ser doce e zeloso? Infantil e adulto? Mestre e amigo? Com certeza não era uma resposta unívoca. Por tal, acredito que as perguntas são mais importantes, pois elas me levaram a uma imaginação mais rica. Ainda me senti um pouco inseguro, mas acredito que isto seja bom, pois evita a certeza soberba.
A antagônica cena da briga, se comparada com a cena da praia, foi a parte mais dura do exercício. Não por ser uma cena mais complexa, mas pela simples mudança. Obviamente o acontecimento ajuda a nortear o caminho da mudança, mas o que senti foi dificuldade em ser legítimo. Ainda não sei o porquê e não sei se um dia saberei, apenas espero saber lidar cada vez melhor com isto.
Enfim, após as experiências, chegamos à cena principal da aula. Estava muito mais relaxado. A concentração ficou voltada para dar vida à personagem, como se fosse em um universo paralelo, ou em um sonho. Sentir o que deveria ser feito e dosar as ações para que fosse verídico em cena, exigiram que eu fosse capaz de ver minha personagem como se eu fosse a platéia. Acho que isto me ajudou. As repetições verticalizaram a cena ao mesmo tempo que deram uma amplitude na minha imaginação. Fiquei mais atento aos detalhes, ao mesmo tempo procurei um contexto às ações, imaginando os acontecimentos precedentes e procedentes. Traçar os detalhes das ações me levaram ao que imagino ter sido o principal tópico da aula: qual o objetivo da personagem?"

Posto tal texto como pretexto para publicar uma música, muito importante para mim, que me lembrou muito a aula tratada neste texto:


Obs: Procurem outras versões desta música. Todas são incríveis.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Por quê?

"Aprendam a amar a arte em vocês mesmos, e não vocês mesmos na arte"  Stanislavski
Com sorte, em algum tempo lerei esta postagem e acharei algo que poderia ser feito diferente, talvez algum erro ou ajuste. O fato é que enquanto escrevo esta simples postagem, que até aqui possui poucas palavras, a tecla mais utilizada foi o "delete" ("backspace"). Lembro que no primário não utilizávamos canetas, só era permitido o lápis, que vinha acompanhado de uma borracha. E com estes dois materiais escolares, minha mãe me ensinou algo muitíssimo valioso: "Dan, quando errar é só apagar direitinho com a borracha." E naquele mesmo tempo construí uma das minhas metas mais agressivas: inutilizar a borracha. Cheguei até a esquecê-la, por diversas e diversas vezes, o que só me deu a oportunidade de pedir emprestada (acho que alguns colegas chegaram a se encher disto).

Hoje, nossa produção teatral pode ser "relembrada". Claro que não com a mesma observação de quando foi realizada, pois tanto o observador quanto o observado estavam em outras condições, impossíveis de serem reproduzidas por este meio. Nem refazendo as condições são as mesmas:

"Um homem não toma banho duas vezes no mesmo rio, porque nem o homem nem o rio serão os mesmos." Heráclito

Ao menos utilizemos esta pequena ferramenta para monitorarmos nossa trajetória, reavivarmos nossas mentes, ver a distância percorrida. Que não exista a "borracha", mas sim a experiência.

Este blog, Mato-Virgem, servirá principalmente ao nosso aprendizado. A experiência artística poderá ser registrada, seja por filmagens, textos, fotografias, músicas, etc. Para este blog, não há um objetivo muito maior do que registrar tal experiência. Poderemos divulgar para além do grupo, mas que neste primeiro momento sirva principalmente para nós. Que possamos nos rever como insumo cênico. Que sirva para nos vermos, um pouquinho mais, na arte e nos ajude a amarmos a arte em nós mesmos.