Há algumas semanas escrevi o seguinte texto, subjetivo, para a aula da Shuba:
"Com os diversos brinquedos espalhados e as pessoas sorridentes como crianças adultas. As lembranças de minha infância surgiram em minha mente. E por ali ficaram, não tomaram, de imediato, conta de minhas ações. Aos poucos ganharam apenas espaço na minha cabeça. E com este espaço deixaram de ser lembranças e passaram a ser factíveis. Claro que com alguma dificuldade, pois existiu uma relutância muito forte entre a minha razão e o meu instinto. "Não sou mais criança" de um lado e "O que é ser criança?" do outro. Levemente controlei este instinto crítico e "zombeteiro" e usei da simples razão para querer ser criança, para exteriorizar algumas ações congruentes aos meus pensamentos.Tomado pela ordem da professora, precisei me desprender da criança e me tornar um adulto, um pai. E apesar de desprendido da criança, mantive-me conectado aos pensamentos anteriores, por ser pai de uma criança pequena e com ela precisar lidar. Deixei-me novamente imaginar: como seria ser pai? Ser doce e zeloso? Infantil e adulto? Mestre e amigo? Com certeza não era uma resposta unívoca. Por tal, acredito que as perguntas são mais importantes, pois elas me levaram a uma imaginação mais rica. Ainda me senti um pouco inseguro, mas acredito que isto seja bom, pois evita a certeza soberba.
A antagônica cena da briga, se comparada com a cena da praia, foi a parte mais dura do exercício. Não por ser uma cena mais complexa, mas pela simples mudança. Obviamente o acontecimento ajuda a nortear o caminho da mudança, mas o que senti foi dificuldade em ser legítimo. Ainda não sei o porquê e não sei se um dia saberei, apenas espero saber lidar cada vez melhor com isto.
Enfim, após as experiências, chegamos à cena principal da aula. Estava muito mais relaxado. A concentração ficou voltada para dar vida à personagem, como se fosse em um universo paralelo, ou em um sonho. Sentir o que deveria ser feito e dosar as ações para que fosse verídico em cena, exigiram que eu fosse capaz de ver minha personagem como se eu fosse a platéia. Acho que isto me ajudou. As repetições verticalizaram a cena ao mesmo tempo que deram uma amplitude na minha imaginação. Fiquei mais atento aos detalhes, ao mesmo tempo procurei um contexto às ações, imaginando os acontecimentos precedentes e procedentes. Traçar os detalhes das ações me levaram ao que imagino ter sido o principal tópico da aula: qual o objetivo da personagem?"
Posto tal texto como pretexto para publicar uma música, muito importante para mim, que me lembrou muito a aula tratada neste texto:
Obs: Procurem outras versões desta música. Todas são incríveis.
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